Quando eu estou meio triste, ou emburrada com os meus pais, começo a pensar em como eu vou criar os meus filhos. Geralmente eu começo a imaginar essas coisas quando acabei de levar uma bronca, ou quando eu estou de TPM, ou quando os dois eventos acontecem ao mesmo tempo. Então, lá vou eu, muito triste, planejar a forma mais perfeita possível na qual que criarei os meus filhos.
Talvez eu reaja assim para evitar algumas questões mal resolvidas no passado. E também por uma certa hipocrisia, melhor dizendo, cinismo da minha parte, por ficar achando que tudo de ruim que aconteceu na minha vida foi por um único motivo. Tenho 15 anos de idade, já sou capaz de criar meus próprios problemas.
Sobre a educação que recebi dos meus pais (que é muito boa, diga-se de passagem), há algumas coisas que eu passei a observar mais atentamente. É natural que os pais que amam seus filhos lhe desejem uma vida melhor do que a que viveram na mesma idade. Mas meu pai, por exemplo não usa a sua história de vida como um bom exemplo para alguém.
Quando se referia a si mesmo (sempre na 3ª pessoa), ele nos alertava contra coisas ruins, como por exemplo: "Beba bastante água, porque se não, daqui a um tempo, você vai ficar com pedra no rim, igual o pai" (ele sempre diz isso quando está com crises de cálculo renal) ou coisas assim.
Já minha mãe é diferente. Ela, quando passa um sermão em mim, costuma lembrar das coisas que eu fiz de errado. Acho que o pior problema vem depois, quando está conversando com outras pessoas e diz que eu sou uma filha maravilhosa, estudiosa, educada, prestativa. Minha mãe demonstra se orgulhar das coisas boas que eu faço, mas às vezes eu preciso sentir isso, e não consigo.
Mas acima de tudo, meus pais me ensinaram ótimas coisas sobre caráter, ética, honestidade e sinceridade. Disserto sobre isso outro dia.