Faz praticamente um ano que eu tento escrever aqui sobre uma partezinha especial da minha vida. Há um ano, eu tenho uma irmãzinha, filha do meu pai.
Como aniversário de 1 ano, meu pai e a esposa dele decidiram fazer uma festa, na cidade onde a família dela mora. Eu e meu irmão tínhamos que ir também. Afinal, também somos parte da família dele, não necessariamente da família dela.
Na sexta-feira, depois de ter arrumado o cabelo, e de ver as minhas cutículas sendo recortadas pela manicure, seguimos viagem durante a noite. Quando meu pai chegou, a primeira novidade era o carro novo dele, muito bonito, aliás. Eu fiquei no banco do passageiro, e me impressionava em ver como o parabrisas estava límpido, e que o carro não tinha andado mais que 70 quilômetros. Mas depois eu fui pensar nos gastos que meu pai teria com o tal carro. Ele vivia dizendo que não tinha dinheiro para me pagar um curso de idiomas, mas gasta quase 1000 reais em cada prestação. Isso me deixou com a pulga atrás da orelha, mas não tem importância.
Quando chegamos na casa dos pais da minha madrasta, já era 1 da manhã. A casa deles é simples, mas tem 4 quartos, 2 banheiros, sala de TV e portão automático. Enquanto a gente saía do carro, vi meu pai conversar com o seu sogro, que já estava falando em comprar um carro igual ao do genro, não se importando com os "quase R$ 1000" por parcela. Isso definitivamente não faz parte da minha realidade. Quando meu avô materno estava vivo, ele dirigia, todo feliz, um Del Rey, acredito que da década de 70 ou 80. O carro era velho, mas atendia perfeitamente às necessidades dele.
Fomos dormir, então. No dia seguinte que a sogra do meu pai foi descobrir que eu tinha dormido na casa dela. Eu quase não falei por lá, por isso ela nem me notou (mas eu a cumprimentei, bem na frente dela). O nosso cronograma era arrumar as coisas para a festa. Então, me mandaram para uma casa na cidade vizinha. Lá moravam os tios da minha irmãzinha. Eu ajudei a arrumar sacolinhas de presentes e arrumar docinhos. Também fui pegar jabuticaba na casa da filha deles. Andando pela cidade, e "comprando coisas", vi que ainda existem lugares onde todo mundo conhece todo mundo, e ainda se vende fiado um monte de coisas. Bonitinho, mas eu, como "a menina lá de Brasília" não confiaria tanto.
Depois, me encarregaram de ajudar na arrumação do salão de festas. Me senti útil naquele lugar. Não terminei de fazer tudo, mas tinha gente que o fizesse. Fui me arrumar pra festa, e fiquei pensando na roupa que eu deveria usar. Escolhi um vestido (estava incrivelmente quente aquele dia), me maquiei como podia (meu corretivo facial estava nas últimas), e fomos para o nosso evento.
Não fiz muita coisa durante a festa. Sentei-me na mesa, e vi as crianças correndo, o DVD da Xuxa que estava passando no telão, e a dona da casa onde tinha jabuticaba sempre me dizer: "Isadora, você tá muito sozinha!". Lógico que eu estava sozinha. Eu não ia pular na cama elástica de vestido. Eu não iria pra outra mesa falar das palhaçadas que meu pai fazia quando morava comigo. Eu não iria interagir com as pessoas da minha idade que estavam ali. Eu não conhecia aquela gente, o que eu iria fazer?
Nas poucas tentativas de integração, meu pai me chamou a uma mesa, onde estava um outro homem, da família. Ele não acreditava que eu e meu irmão existíamos, achava que era desculpa do meu pai pra fugir dos convites que ele fazia. Também não acreditava que meu pai tinha nos criado muito bem, e que era atencioso, dentro do possível. De qualquer forma, algo não me agradava naquele cético homem. Talvez o linguajar dele -me pareceu agressivo-, ou como ele tentava se aproximar da gente.
A festa terminou, e foi muito boa. Na hora da despedida, uma mulher veio me cumprimentar. Entre um beijinho e outro, ela me disse: "Achei você bonita, mas te achei muito tímida". Não sabia se agradecia o elogio ou me revoltava com a crítica. Resolvi me acalmar, e aceitar que a minha produção, pelo menos, tinha dado resultado.
No geral, eu gostei da viagem. Espero que ocorram mais vezes. E que percebam que eu não puxo assunto com ninguém, senão me torno inconveniente.